Apometria

História

A Apometria começa a se desenvolver no início da década de 1960, a partir dos estudos de Luiz J. Rodrigues, psicoterapeuta e farmacêutico bioquímico porto-riquenho radicado no Brasil. Ele criou uma técnica chamada Hipnoterapia, que utilizava comandos magnéticos para induzir o desdobramento da consciência, possibilitando acessar conteúdos profundos — como memórias e conflitos — e realizar atendimentos no plano espiritual.

Em 1965, já em Porto Alegre, Luiz Rodrigues apresentou essa técnica no Hospital Espírita de Porto Alegre. Esse momento foi decisivo, pois despertou o interesse do médico José Lacerda de Azevedo.

A partir daí, Dr. Lacerda assumiu um papel central no desenvolvimento da prática. Ele não apenas estudou o fenômeno, mas passou a organizá-lo de forma sistemática, realizando diversas experiências, especialmente com sua esposa, dona Iolanda, médium experiente, que relatava com clareza as percepções durante o desdobramento.

Com base nesses estudos, Dr. Lacerda estruturou o método, formulou as chamadas Leis da Apometria, que organizam e orientam sua aplicação, e ampliou sua utilização com maior segurança e consistência. Também foi responsável por consolidar o nome Apometria, substituindo termos associados à hipnose, justamente para deixar claro que o processo não depende de transe: o assistido permanece consciente durante o atendimento.

O termo Apometria vem do grego apo (além) e metron (medida) — e, mais do que uma definição, expressa a própria essência da prática: acessar o que está além do que pode ser medido, incluindo dimensões mais sutis da experiência humana, tradicionalmente compreendidas como o plano espiritual ou astral.

Essas ideias foram apresentadas em sua obra Espírito/Matéria: Novos Horizontes para a Medicina, na qual propõe um diálogo entre ciência, consciência e espiritualidade, ampliando a compreensão sobre o ser humano.

Uma pergunta frequente

Muitas pessoas chegam à Casinha Azul com a mesma dúvida:

O que é Apometria?

O que acontece durante um atendimento?

Como ela pode ajudar?

As respostas variam de acordo com quem responde.

Para algumas pessoas, a Apometria é um tratamento espiritual.

Para outras, uma terapia complementar.

Há quem a defina como um trabalho energético.

Outros a descrevem como uma forma de compreender melhor a si mesmo.

Curiosamente, todas essas respostas contêm algo de verdadeiro.

Há algum tempo, um assistido tentou explicar a Apometria para duas pessoas que perguntaram sobre a Casinha Azul.

Ele havia participado de apenas um atendimento.

Não conhecia a teoria.

Não sabia explicar a técnica.

Mesmo assim, respondeu de forma muito simples:

“Você entra numa sala, conversa com algumas pessoas, fala dos seus problemas e elas ajudam você.”

Depois acrescentou:

“A sensação é como encontrar um amigo que você não via há muito tempo.”

Talvez essa seja uma das formas mais simples de começar a compreender a Apometria.

Antes de ser uma técnica, ela é um espaço de acolhimento, escuta e cuidado.

Na Casinha Azul, compreendemos a Apometria como uma prática terapêutica voltada à compreensão e reintegração dos conteúdos da consciência, favorecendo o autoconhecimento, o auto acolhimento e o desenvolvimento de maior autonomia no cuidado de si.

Por meio desse trabalho, buscamos auxiliar cada pessoa a compreender melhor seus conflitos, emoções, padrões de comportamento e experiências internas, promovendo mais equilíbrio, clareza e harmonia em sua própria caminhada.

Conceito

Muitas vezes, a pessoa percebe que algo dentro dela se repete — um medo, uma insegurança, um padrão de comportamento — mesmo sem entender exatamente o porquê. A Apometria surge como uma forma de acessar esses conteúdos mais profundos da consciência, permitindo compreendê-los e reorganizá-los.

Na prática, isso envolve trabalhar com emoções, memórias, padrões de comportamento e conflitos que nem sempre estão claros no nível consciente, mas que continuam atuando e influenciando a forma como a pessoa pensa, sente, age e reage.

O processo envolve o chamado desdobramento da consciência, que permite evidenciar diferentes aspectos internos. Esses aspectos são chamados de “personalidades”, não no sentido de serem outras pessoas, mas como partes da própria consciência que carregam características específicas — como emoções, pensamentos, memórias e formas de expressão.

Quando essas “partes” são acessadas, podem se manifestar com certa autonomia, o que facilita sua identificação e compreensão. Isso não significa que a pessoa esteja fragmentada, mas sim que conteúdos internos — que normalmente permanecem misturados ou pouco conscientes — passam a ser percebidos com mais clareza.

Esses conteúdos se organizam em diferentes níveis da experiência interna, tradicionalmente associados aos chamados corpos sutis, como o emocional e o mental. Uma forma simples de entender é pensar que a consciência funciona em “camadas”: algumas mais ligadas às emoções, outras aos pensamentos, e assim por diante.

Cada uma dessas camadas funciona como um espaço onde determinadas experiências acontecem. Quando você sente medo, tristeza ou alegria, por exemplo, isso está mais ligado ao nível emocional. Já quando está refletindo, analisando ou tentando entender algo, está mais relacionado ao nível mental.

Dentro desses níveis se manifestam as chamadas “personalidades”, que são esses conteúdos organizados em forma de experiências, memórias e padrões de pensamentos, atitudes e reações.

Uma forma de visualizar isso é imaginar a mente como um ambiente com vários espaços: os níveis seriam esses espaços, e as personalidades seriam aquilo que aparece dentro deles.

Assim, não se trata de algo externo ou separado, mas de diferentes formas que a própria consciência encontra para se expressar.

Na prática, isso pode aparecer de maneiras bem concretas no dia a dia. Às vezes, a pessoa percebe que reage sempre do mesmo modo em certas situações — como um medo desproporcional, uma insegurança constante ou uma dificuldade de se posicionar — mesmo sem entender de onde isso vem.

Em outros casos, pode existir um conflito interno mais evidente, como uma parte que quer avançar e outra que trava, gerando dúvida, ansiedade ou sensação de bloqueio.

Ao acessar esses níveis mais profundos, torna-se possível identificar a origem desses padrões, compreender o que está por trás deles e, a partir disso, favorecer sua reorganização.

O objetivo do trabalho não é separar essas partes, mas compreendê-las e reintegrá-las da maneira mais favorável e condizente possível com as necessidades pessoais atuais. É esse movimento de reconhecimento e reorganização que favorece mais equilíbrio, clareza e integração interna.

Não há contraindicação para o tratamento e os benefícios podem ser inúmeros, tanto nos aspectos físicos e materiais, como nas questões emocionais, psicológicas e mentais.

Apometria na Casinha Azul

A Casinha Azul é uma casa espírita kardecista, fundada em 1999 para funcionar como um pronto-socorro, com atendimentos gratuitos de Apometria.  A partir dos tratamentos e estudos realizados durante anos de trabalho, as técnicas de atendimento foram aprimoradas e passamos a oferecer também os nossos cursos de Apometria, nos quais apresentamos os fundamentos da Apometria e o nosso modelo de trabalho.

Na Casinha Azul, a Apometria é utilizada como uma prática terapêutica voltada à compreensão e reintegração dos conteúdos da consciência, favorecendo o autoconhecimento, o auto acolhimento e o desenvolvimento de maior autonomia no cuidado de si. É um tratamento energético e espiritual, que não substitui tratamentos médicos ou psicológicos, sendo importante manter os cuidados de saúde já indicados. Poderá receber indicação de tratamentos complementares ao tratamento apométrico, atualmente também oferecidos pela casa, como Reiki, Acupuntura Auricular e Passe Energético e poderá ser orientado quanto à Reforma Íntima e outras ferramentas que podem contribuir para a manutenção de um padrão vibratório mais elevado e sadio.

Os atendimentos são individuais, realizados por uma equipe de trabalho, mesmo quando ocorrem em um ambiente compartilhado, sempre com organização e responsabilidade. A mediunidade pode ser utilizada como instrumento de trabalho quando necessário, de forma equilibrada e direcionada, sem depender de estados alterados por parte do assistido, que permanece consciente durante todo o processo.

O trabalho é conduzido por meio de impulsos induzidos — comandos mentais intencionais e direcionados utilizados pela equipe para conduzir o processo terapêutico, como acessar, organizar e reintegrar conteúdos da consciência. Em alguns casos, esses comandos podem ser acompanhados por sinais rítmicos, como estalos de dedo, que ajudam a marcar o ritmo e a sincronizar o trabalho da equipe.

Esse processo permite acessar diferentes níveis internos de forma organizada, evidenciando padrões emocionais, mentais e energéticos que influenciam a vida do indivíduo. Em alguns casos, esse acesso alcança níveis mais profundos, onde podem estar as origens de determinados conflitos ou desarmonias, possibilitando uma atuação mais direta sobre esses conteúdos.

Além desse aspecto, há também um trabalho no campo energético, com o direcionamento de fluidos com finalidade terapêutica, contribuindo para o equilíbrio do organismo e para a harmonização de padrões energéticos. Quando necessário, são realizadas abordagens relacionadas a influências espirituais consideradas prejudiciais, assim como a harmonização de ambientes, reconhecendo que o campo ao redor da pessoa influencia seu estado emocional e mental.

Todo o trabalho é realizado em um ambiente de acolhimento, respeito e escuta, onde cada pessoa é atendida dentro de suas necessidades e do seu momento. As informações compartilhadas durante o atendimento são tratadas com responsabilidade e confidencialidade, preservando a privacidade e a dignidade de cada assistido.

O atendimento é aberto a todos, independente de crença ou religião, e a equipe de atendimento é formada por voluntários unidos pelos propósitos e pela base moral da doutrina espírita kardecista, fundamentada na lei de justiça, amor e caridade, respeitando o tempo e o processo individual de cada pessoa.

Regra de Ouro da Apometria

Para o Dr. José Lacerda de Azevedo, o ponto central da Apometria não está apenas na técnica, mas na forma como ela é utilizada.

O verdadeiro fundamento do trabalho é o amor, expresso na caridade e na humildade. Sem esses princípios, mesmo uma técnica bem aplicada perde seu sentido.

A prática exige responsabilidade. Quando conduzida sem ética e discernimento, pode gerar distorções e interpretações equivocadas.

Por isso, mais importante do que o domínio técnico é a fidelidade aos princípios morais que sustentam o trabalho. É essa base que garante segurança, equilíbrio e coerência na atuação.

Apometria e Espiritismo

A Apometria não faz parte da codificação da Doutrina Espírita elaborada por Allan Kardec. Trata-se de uma prática desenvolvida posteriormente, a partir de estudos e experiências no campo espiritual.

No entanto, os fenômenos que a fundamentam — como o desdobramento da consciência, a emancipação da alma, a dupla vista e a atuação sobre os fluidos espirituais — são amplamente descritos nas obras básicas do Espiritismo. Kardec os apresenta como fenômenos naturais, que podem ocorrer em diferentes condições, como no sono, no sonambulismo, em estados de sensibilidade ampliada e até em vigília, sendo influenciados pela vontade, pelo desenvolvimento do indivíduo e por seu estado moral.

Nesse sentido, a Apometria pode ser compreendida como uma forma de organizar e direcionar esses fenômenos, utilizando recursos mentais, energéticos e, em alguns casos, mediúnicos, com finalidade terapêutica.

Um conceito central para essa compreensão é o de perispírito, definido por Kardec como o elemento intermediário entre o espírito e o corpo físico. É por meio dele que se estabelecem as interações entre o plano material e o espiritual, incluindo a percepção ampliada, a transmissão de pensamento e a atuação sobre os fluidos. Esses fluidos, por sua vez, constituem o meio pelo qual o pensamento e a vontade atuam, podendo influenciar tanto o próprio indivíduo quanto o ambiente ao seu redor.

Dessa forma, práticas que envolvem direcionamento de energias, harmonização e reorganização interna podem ser compreendidas dentro dessa lógica, desde que conduzidas com equilíbrio, discernimento e base moral.

Assim como outras práticas presentes em ambientes espíritas — como o passe, a desobsessão e a água fluidificada —, a Apometria não se confunde com a doutrina em si, mas pode ser compreendida à luz de seus princípios, que oferecem base para interpretar seus fenômenos e orientar sua aplicação.

Estudos sobre a dinâmica da consciência indicam que conteúdos emocionais não elaborados não desaparecem simplesmente com o passar do tempo. Quando permanecem sem compreensão e integração, podem manifestar-se de diferentes formas, influenciando pensamentos, emoções e comportamentos. Por essa razão, torna-se importante o trabalho consciente de identificação, compreensão e reorganização desses conteúdos, favorecendo maior equilíbrio e autoconhecimento.

Do ponto de vista espírita, é importante considerar que nem toda prática espiritual se caracteriza automaticamente como “espírita”. O que define sua compatibilidade com o Espiritismo não é apenas o fenômeno em si, mas, sobretudo, a forma como é conduzida.

Quando orientada pelos princípios da doutrina — especialmente a caridade, a gratuidade, a responsabilidade, o respeito ao livre-arbítrio e o compromisso com o bem —, a Apometria pode ser compreendida como uma prática compatível com o campo de atuação espírita. Quando dissociada desses princípios, perde essa referência.

O próprio Allan Kardec já indicava essa abertura ao afirmar que o Espiritismo, acompanhando o progresso, se transforma à medida que novas compreensões são incorporadas de forma criteriosa.

Sob essa perspectiva, a Apometria pode ser entendida não como uma doutrina, mas como um instrumento de trabalho que, quando bem compreendido e corretamente aplicado, pode atuar em consonância com os princípios espíritas, a serviço do cuidado, da caridade e do processo de transformação do indivíduo.

Conheça como funciona o atendimento na Casinha Azul

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